Pesquisando para educar

Veado-catingueiro (Mazama gouazoubira)

On 16/05/2012, in Artigos, by admin
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No inicio do mês de Maio tivemos mais algumas surpresas com os registros da fauna silvestre. Pela primeira vez, foi identificado na parte baixa da serra o veado-catingueiro (Mazama gouazoubira). Esta espécie de cervídeo é considerada um mamífero de pequeno a médio porte, pesando entre 14-20 kg.

O veado-catingueiro (Mazama gouazoubira) ocupa matas densas que margeiam os rios e possui atividade diurna, o que o difere de veado-mateiro (Mazama americana). Segundo alguns pesquisadores (REIS, et al., 2010) em áreas com algum efeito antrópico, pode se tornar noturno. Como o registro foi no período noturno, justamente na Trilha dos Tropeiros, tudo indica que atividades ilegais, como o uso da trilha por motoqueiros, estão gerando impactos sobre a fauna silvestre.

Sobre a vida animal e sua relação com a cadeia alimentar, o veado-catingueiro (Mazama gouazoubira) torna-se uma presa potencial para predadores eficazes como o puma (Puma concolor) e a jaguatirica (Leopardus pardalis) que tem uma dieta composta de uma grande variedade de pequenos e médios mamíferos. Além do veado foram registrados quati (Nasua nasua) e tatu galinha (Dasypus novemcinctus).

Veado Catingueiro (Mazama gouazoubira)

 

Veado Catingueiro (Mazama gouazoubira)

 

Tatu galinha (Dasypus novemcinctus)

 

Quati (Nasua Nasua)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No início do mês de Fevereiro (05/02) realizamos a segunda saída de campo do ano, para fazer a manutenção das armadilhas. O clima da reserva é influenciado pelas massas de ar úmidas vindo do Oceano Atlântico. Por evaporação contínua, as águas do mar, transformados em massa de umidade, são transportadas pelos ventos para os paredões da serra. Nas partes altas das montanhas, a umidade se condensa sob a forma de neblina ou de chuvas, responsáveis pelo caráter úmido da região. Para fazer a caminhada foi preciso persistência para suportar a umidade e as altas temperaturas, chegando a uma sensação térmica de quase 40 graus.

O que amenizou o percurso foram os microclimas, que variam de cima para baixo nos diversos estratos da floresta. Nas áreas sombreadas e mais altas, as temperaturas são mais amenas, permitindo que fizéssemos algumas paradas, para recompor as energias. Mesmo assim, quando chegamos à primeira armadilha, a 750 metros de altitude, já estávamos completamente exaustos e o risco de tromba d’ água já se anunciava. Rapidamente recolhemos o equipamento e começamos a descer a montanha, pois as chuvas de verão na encosta da serra costumam provocar deslizamentos e encher o rio. Mesmo apressando os passos, não conseguimos evitar a chuva.

Chegando à base, a primeira coisa a fazer foi verificar os resultados da armadilha. E para nossa felicidade, começamos 2012 registrando uma Jaguatirica (Leopardus pardalis) flagrada vários dias pela câmera.

Jaguatirica (Leopardus pardalis)

Jaguatirica (Leopardus pardalis)

 

Em uma busca incessante de conservar e estudar os felinos silvestres, o projeto começou o ano de 2012 pesquisando os picos mais altos da Reserva. A primeira caminhada do ano aconteceu no dia 4 de Janeiro, na Trilha dos Tropeiros. Há cerca de três meses, a trilha vem sendo revitalizada pela Unidade de Gestão da Rebio do Aguaí, o que tem contribuído muito na área da pesquisa. Desta vez, as armadilhas fotográficas foram instaladas entre 700 e 800 metros de altitude, onde há maior chance de registrar os pumas. À medida que subíamos a trilha, nos deparávamos com ambientes cada vez mais ricos.

Em meio ao verde que cobre as montanhas, tivemos a oportunidade de vislumbrar a corticeira da serra (Erythrina falcata) com flores de cor alaranjado-vibrante. Suas folhas caem totalmente durante o inverno e no verão por apenas duas semanas suas flores aparecem garantindo sua presença marcante na paisagem atraindo papagaios e periquitos que se alimentam de seu rico nectar.

corticeira da serra (Erythrina falcata) com flores de cor alaranjado-vibrante.

Contornando as encostas das montanhas, as quedas d’ água também chamam a atenção com sua deslumbrante paisagem natural. Percorrendo a trilha, é possível entender sua verdadeira importância, pois a cada trajeto, se faz novas descobertas e um resgate histórico em determinados pontos da reserva, como por exemplo, as Três Pedras onde existe uma gruta, o Rancho dos bugres que serviu como abrigo dos índios, o Rodeio que se tornou um ponto de parada dos tropeiros e o calçamento de pedras feito em seu trecho íngreme e sinuoso, deixando traços na formação histórica de São Pedro.
A paisagem natural e cultural são as imagens de destaque nesta campanha. Esperamos que no decorrer do ano muitos outros atributos possam ser descobertos, pesquisados e valorizados pela comunidade.

 

Rio da Serra, maior afluente do Rio São Bento.

 

Expedição Bacia do Rio Urussanga

On 10/11/2011, in Expedições, by admin
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Este ano o projeto Felinos do Aguaí realizou diversas ações com o objetivo de contribuir para a conservação da natureza no sul de Santa Catarina e para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Entre as ações foram realizados projetos de educação sustentável, palestras, vivências com a natureza, atuações que possibilitaram conhecer a comunidade de São Pedro que se relaciona direta ou indiretamente com a reserva, e por último, uma expedição pela bacia do rio Urussanga, a menor bacia do sul catarinense.

No dia 02 de novembro o pesquisador/fotógrafo José Carlos dos Santos Júnior e um dos parceiros do projeto, Fabio Maciano, percorreram 30 km pelo rio Urussanga, mais precisamente de Estação Cocal até a Barra do Torneiro (Oceano Atlântico) passando pelos municípios de Cocal do sul, Treze de Maio, Morro da Fumaça, Içara e Jaguaruna.

O objetivo da expedição foi observar a vida silvestre que habita esta bacia hidrográfica.  Foi escolhido um dia que o rio estava com baixa vazão. Nos primeiros quilômetros, varias vezes a canoa encostou seu fundo no rio, que se encontra muito assoreado, principalmente em áreas sem nenhuma mata ciliar. Para percorrer o trajeto a equipe levou 6 horas e meia, porém acredita-se que é possível fazer em menos tempo, já que foi pego vento contra nos últimos 6 km.

Entre os mamíferos, foram observadas diferentes espécies, a capivara (Hydrochaeris hidrocaensis) foi a mais abundante, também foram percebidos muitos rastros de lontras (Lutra longicaudis) e outros de pequeno porte, provavelmente cuícas e ratões do banhado. Já entre as aves a grande surpresa foi um casal de Cardel (Paroaria coronata), outras espécies avistadas foram  Maguaris (Ardea cocoi), Maçarico solitário (Tringa solitária), Marreca ananaí (Amazonetta brasiliensis) assim como aves mais comuns. Desta experiência, é possível notar que as matas ciliares cumprem uma importante função de corredores para a fauna, pois permitem que animais silvestres possam deslocar-se de uma área para outra, tanto em busca de alimentos como para fins de acasalamento.

Fotos: José Carlos dos Santos Junior

Em Lugares que a mata ciliar estava preservada a vida silvestre era comum e a qualidade de navegação também era melhor.

Uma bela figueira repleta de aves.

Na ponte que liga o interior do municipio de Morro da Fumaça a localidade de Vargedo foi necessário fazer uma portagem pois a altura da ponte não permitia passar por baixo, neste momento aproveitamos para fazer um lanche e novas amizades.

Ja próximo da entrada da lagoa da Urussanga Velha encontramos os primeiros pescadores que ficaram surpresos quando falamos que tínhamos vindo de cocal.

A canoa tipo canadense mostrou ser uma ótima escolha para descer este tipo de rio. Valeu Let it be!!

Fabio conferindo a mão depois da trip e nosso resgate Micheli e Mario.

 

Saída a campo

On 30/10/2011, in Mamíferos, by admin
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A primavera é uma estação muito boa e esperada por todos nós pesquisadores, pois é quando a maioria dos animais e aves se acasala e também ocorrem mais ofertas de alimentos. Na última campanha foram registrados pelas armadilhas fotográficas, num mesmo local, o gato-maracajá (Leopardus wieddi) e o gato-do-mato-pequeno (Leopardus tigrinus), além da Irara (Eira barbara), uma das espécies mais abundantes na Rebio Aguaí.

Gato-maracajá (Leopardus wiedii)

Irara (Eira barbara)

Gato-do-mato-pequeno (Leopardus tigrinus)

Gato-maracajá (Leopardus wiedii)

Gato-do-mato-pequeno (Leopardus tigrinus)

 

Pesquisa de campo

On 07/10/2011, in Artigos, Mamíferos, by admin
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Em 2011 o Inverno no sul do Brasil foi de muita chuva, influenciando drasticamente os resultados das pesquisas. Naturalmente, a Mata Atlântica já é uma floresta úmida. No entanto, com as mudanças climáticas as chuvas se intensificaram, acarretando muitos problemas aos equipamentos fotográficos. Esperamos que na primavera, o frio e o tempo chuvoso se despeçam, garantindo novos registros da vida silvestre na Rebio Aguaí.

Irara (Eira barbara)

Quati (Nasua Nasua)

 

Resultado de armadilha

On 03/08/2011, in Sem categoria, by admin
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Em Junho, o frio que predominou no sul de Santa Catarina foi um dos mais rigorosos dos últimos anos, chegando a marcar 6 graus negativos e sensação térmica de – 36º graus. Na Reserva do Aguaí não foi diferente. No Inverno, as montanhas da Serra Geral normalmente costumam amanhecer cobertas de gelo. Mesmo com as baixas temperaturas, as armadilhas fotográficas registraram enchendo a reserva de vida, diferentes espécies de mamíferos, entre eles apareceram a Irara, o Guaxinim, o Gato-maracajá e o Tatu-galinha, que freqüentemente são registrados fazendo a manutenção da floresta.

Gato-maracajá (Leopardus wiedii)