Pesquisando para educar

No início do mês de Fevereiro (05/02) realizamos a segunda saída de campo do ano, para fazer a manutenção das armadilhas. O clima da reserva é influenciado pelas massas de ar úmidas vindo do Oceano Atlântico. Por evaporação contínua, as águas do mar, transformados em massa de umidade, são transportadas pelos ventos para os paredões da serra. Nas partes altas das montanhas, a umidade se condensa sob a forma de neblina ou de chuvas, responsáveis pelo caráter úmido da região. Para fazer a caminhada foi preciso persistência para suportar a umidade e as altas temperaturas, chegando a uma sensação térmica de quase 40 graus.

O que amenizou o percurso foram os microclimas, que variam de cima para baixo nos diversos estratos da floresta. Nas áreas sombreadas e mais altas, as temperaturas são mais amenas, permitindo que fizéssemos algumas paradas, para recompor as energias. Mesmo assim, quando chegamos à primeira armadilha, a 750 metros de altitude, já estávamos completamente exaustos e o risco de tromba d’ água já se anunciava. Rapidamente recolhemos o equipamento e começamos a descer a montanha, pois as chuvas de verão na encosta da serra costumam provocar deslizamentos e encher o rio. Mesmo apressando os passos, não conseguimos evitar a chuva.

Chegando à base, a primeira coisa a fazer foi verificar os resultados da armadilha. E para nossa felicidade, começamos 2012 registrando uma Jaguatirica (Leopardus pardalis) flagrada vários dias pela câmera.

Jaguatirica (Leopardus pardalis)

Jaguatirica (Leopardus pardalis)

 

Em uma busca incessante de conservar e estudar os felinos silvestres, o projeto começou o ano de 2012 pesquisando os picos mais altos da Reserva. A primeira caminhada do ano aconteceu no dia 4 de Janeiro, na Trilha dos Tropeiros. Há cerca de três meses, a trilha vem sendo revitalizada pela Unidade de Gestão da Rebio do Aguaí, o que tem contribuído muito na área da pesquisa. Desta vez, as armadilhas fotográficas foram instaladas entre 700 e 800 metros de altitude, onde há maior chance de registrar os pumas. À medida que subíamos a trilha, nos deparávamos com ambientes cada vez mais ricos.

Em meio ao verde que cobre as montanhas, tivemos a oportunidade de vislumbrar a corticeira da serra (Erythrina falcata) com flores de cor alaranjado-vibrante. Suas folhas caem totalmente durante o inverno e no verão por apenas duas semanas suas flores aparecem garantindo sua presença marcante na paisagem atraindo papagaios e periquitos que se alimentam de seu rico nectar.

corticeira da serra (Erythrina falcata) com flores de cor alaranjado-vibrante.

Contornando as encostas das montanhas, as quedas d’ água também chamam a atenção com sua deslumbrante paisagem natural. Percorrendo a trilha, é possível entender sua verdadeira importância, pois a cada trajeto, se faz novas descobertas e um resgate histórico em determinados pontos da reserva, como por exemplo, as Três Pedras onde existe uma gruta, o Rancho dos bugres que serviu como abrigo dos índios, o Rodeio que se tornou um ponto de parada dos tropeiros e o calçamento de pedras feito em seu trecho íngreme e sinuoso, deixando traços na formação histórica de São Pedro.
A paisagem natural e cultural são as imagens de destaque nesta campanha. Esperamos que no decorrer do ano muitos outros atributos possam ser descobertos, pesquisados e valorizados pela comunidade.

 

Rio da Serra, maior afluente do Rio São Bento.